Conclusões do 4.º Workshop Internac. Gestão, Qualidade e Segurança na Saúde

 

O 4.º Workshop Internacional sobre Gestão, Qualidade e Segurança na Saúde teve lugar no passado dia 10 de Outubro no Hotel Trópico, em Luanda.

Este evento foi um sucesso e existiu um aceso debate em torno das temáticas referidas, tendo sido produzidas as seguintes notas:

 

Conclusões

1. A Estratégia para a melhoria da qualidade na saúde em Angola assenta num conjunto de dimensões, entre as quais se destaca:

a) A centralidade no doente,

b) A aposta contínua no empenho e desenvolvimento dos nossos profissionais,

c) A melhoria do acesso aos cuidados de saúde, salientando o dever deontológico de prestar auxilio de emergência a quem de nós necessita, independenteemnte de se tratar de um serviço público ou privado.

d) Mas também a avaliação e medição da qualidade, para a qual a existência de sistemas de informação fiáveis assume um papel preponderante e incontornável.

 

2. Os profissionais de saúde estão efetivamente no centro das nossas preocupações, mas as entidades pagadores necessitam conhecer o valor e o resultado do seu investimento. 

 

3. A experiência de implementação do Balaced Score Card numa organização de saúde portuguesa de grandes dimensões permitiu constatar a importância em definirmos um caminho, refletindo sobre aquilo que somos enquanto organização, e decidindo o que aspiramos ser.

 

4. Estas aspirações devem ser traduzidas num planeamento estratégico, suportado por objectivos e indicadores claros, por sua vez alinhados em todos os níveis, intra e supra-organizacionais.

 

5. Ficou claro que, no percurso estratégico alicerçado pelo balanced score card, é fundamental definir metas e monitorizar e acompanhar os constantes desenvolvimentos e mudanças, de forma a garantir que nos mantemos no rumo certo, e que eventuais desvios são atempadamente corrigidos.

 

6. Foi consensual reconhecer que para melhorar, é imperativo medirmos, para sabermos em que estado de evolução nos encontramos.

 

7. A mudança gradual de paradigma, transformando a medição de uma “luta” para uma efectiva forma de trabalho, com a consequente implementação de medidas correctivas, sempre que tal se mostra necessário, demonstra a melhoria sustentável de resultados.

 

8. A utilização de check-lists como ferramenta de melhoria da qualidade, apesar da sua utilização com sucesso na aeronáutica, é ainda pouco disseminada na área da saúde.

 

9. Ficou claro que tão ou mais importante que a existência de check-lists, enquanto ferramenta de melhoria da qualidade, é a forma como esta é entendida e utilizada na prática, pelo que se torna preponderante na sua implementação o acompanhamento, monitorização e sensibilização constantes. 

 

10. Percebemos que os eventos adversos, decorrentes de erros ou falhas, podem ser muitas vezes evitados, fazendo uso de ferramentas que permitam uma análise dos processos e a consequente identificação de falhas que possam vir a ocorrer, com a introdução de ações que aumentem a fiabilidade desses processos.

 

11. Ainda no que se refere a eventos adversos, é reconhecido internacionalmente que o número de erros cometidos por profissionais, por muito dedicados e zelosos que sejam, é consideravelmente grande.

 

12. Torna-se imperativo apostar numa cultura de segurança, razão pela qual foi realizada uma avaliação desta cultura na clínica sagrada esperança, tendo por base uma metodologia da AHRQ, cujos resultados foram partilhados com os congressistas,

 

13. Esta avaliação demonstrou a importância que este tema assume para a Clínica Sagrada Esperança, enquadrado no seu posicionamento relativo à qualidade da prestação de cuidados de saúde.

 

14. O trabalho de implementação das metas internacionais de segurança do doente torna-se mais fácil quando é realizado desde a génese de um serviço. Simultaneamente a organização de um novo serviço também beneficia se for alicerçada nestas premissas basilares de segurança do doente, concluindo-se uma relação mutuamente benéfica, com impacto positivo quer para o doente, quer para os profissionais.

 

15. A implementação de sistemas de gestão da qualidade tem um impacto significativo na eficiência e efectividade de uma organização de saúde, nomeadamente com a promoção da comunicação, do envolvimento, da utilização do conhecimento intrínseco da organização, e com a sistematização de práticas e harmonização de procedimentos,

 

16. Ao nível especifico da certificação pela ISO 9001, cerca de 60 entidades certificadas são de Angola, sendo que a CSE foi igualmente pioneira com a certificação do seu Centro de Formação

 

17. A realização de um estudo de prevalência da infecção nosocomial na Clinica Sagrada Esperança, em Junho de 2014, permitiu a identificação de algumas áreas de oportunidade de melhoria, seja em termos de registos clínicos, seja em termos de adequação continuada da prescrição antimicrobiana

 

18. O desenvolvimento de diretrizes e normas internacionais na área da prevenção e controlo de infecção tem sido considerável, mas continuam a existir barreiras e dificuldades na forma como as organizações implementam as mesmas

 

19. É importante modificar a forma como se trabalha na prevenção e controlo de infecção, devendo ser baseada em modelos de gestão da qualidade, onde a organização e o planeamento são pedras basilares nesta mudança.

 

20. A implementação do método unidose no sistema de distribuição de medicamentos, facilita o trabalho dos profissionais, permite redução de desperdício, bem como aumenta a segurança no circuito do medicamento,

 

21. A realização de auditorias, de forma periódica e sistemática, é uma ferramenta de grande utilidade, não apenas para a medição e avaliação da qualidade já referidas anteriormente, mas também enquanto mecanismo de reflexão multidisciplinar, de envolvimento dos profissionais, de sensibilização e pedagogia na melhoria das práticas de trabalho,

 

22. As reclamações são uma fonte de informação priveligiada para a melhoria dos serviços de saúde, e a criação de sistemas de gestão das mesmas permite sistematizar esta informação,

 

23. A existência de um gabinete do cliente permite formalizar respostas adequadas aos utentes, afirmando a importância das suas opiniões, e do seu envolvimento na implementação continuada de boas práticas.

 

24. Os processos de certificação da qualidade permite uma melhor organização dos serviços e a sustentabilidade da sua evolução.

 

 

Recomendações

a) A qualidade como filosofia de gestão é o meio de qualquer organização ser credível ou socialmente útil, pois implica a procura sistemática das expectativas do doente, melhorando a organização dos processos de trabalho e a produção de resultados em saúde

 

b) A gestão organizacional deve assentar num planeamento estratégico, suportado por ferramentas objectivas e envolventes

 

c) É necessário medir os processos organizacionais, monitorizando os indicadores da qualidade e segurança

 

d) É necessário sensibilizar os profissionais de saúde para a criação de uma cultura de segurança

 

e) Deve ser incentivada a utilização de ferramentas da qualidade, simples mas estruturadas, como apoio para a melhoria da prestação de cuidados

 

f)  Devem-se utilizar modelos de gestão da qualidade como ferramenta basilar na mudança e melhoria das práticas

 

g) A implementação de projectos inovadores em angola, nomeadamente na Clínica Sagrada Esperança, fomenta a mudança e a melhoria contínua, e demonstra uma posição de inconformismo resiliente e saudável desta organização relativamente à qualidade e segurança em saúde.